Aceitei o convite de uma amiga para escrever sobre viagens em família mas depois fiquei pensando: uai, o que vou falar? Meus filhos já são adultos e as viagens em família estão distantes !!!!!! Porém, pensando melhor, achei que tinha história pra contar sim. No caso, poderia abordar viagens em família e as transformações ao longo do tempo.
Eu sou Lilian Azevedo autora do blog “Uma Senhora Viagem“e educadora aposentada. Estou casada com Perri há 40 anos e, juntos, temos 3 filhos: Tiago, Juliana e Pedro. Eles
foram picados pelo “bichinho da viagem” desde pequenos pois Perri
cultivou em todos nós esse prazer de fazer de um simples passeio um
grande programa, de apreciar não só o destino final, mas o caminho
também, de aproveitar as coisas simples, de curtir todos os tipos de
hospedagem, ou seja, tanto a pousada quanto o resort, de participar de
atividades dirigidas e de fazer outras tantas por conta própria.
também sempre adorou viajar e comemorar datas especiais com viagem.
Assim, passamos muitos aniversários, Natal, Reveillon, viajando em
família para Nova Friburgo, onde minha mãe tem casa, e, algumas vezes,
para Búzios, casa de amigos.
aquele período inicial de vida, grana curta, 3 filhos pequenos e uma
enorme vontade de viajar ? Pois é, eis que um amigo surgiu com essa
proposta e nós não pensamos duas vezes.
pegamos um frio intenso num “alojamento” sem infra estrutura para tal, o
aquecedor era tão pequeno que mais parecia uma torradeira. O
frio do lado de fora era tão forte quanto do lado de dentro.Todos
dormiram de pijama e casaco de capuz pois o frio fazia doer a cabeça. Pedro, o caçula, ainda bem pequeno, dormiu no meio de nós dois para não congelar. Mesmo com tudo isso, valeu ! E todos lembram dessa trip com muitas histórias engraçadas para contar.
Dvd, Ipad, joguinhos eletrônicos não existiam !!!! Adedanha,
contar carros da cor X, forca, músicas infantis, adivinhações e
histórias da minha infância foram alguns dos recursos que usamos para ocupar nosso tempo…
Chegamos
bem, nos hospedamos numa pousada super simpática em Santa Cruz de
Cabrália, onde o barato foi ter uma suíte só para eles. De lá passeamos
muito por Porto Seguro e Arraial d’Ajuda. Vivemos dias super legais !
tempo depois, fizemos a 1ª viagem de avião de toda a família numa
excursão da Soletur [Alguém lembra ? Vocês já eram nascidos ? ]. Fomos
para Gramado em julho, inverno, com direito a conhecer Nova Petrópolis,
Canela, Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, vinícola Aurora, fábrica de
chocolate…
nada superou o frisson que foi ir à Disney pela 1ª vez, ou, melhor, aos
EUA, já que nossa 1ª parada e estadia foi em Miami. De lá, de carro,
fomos para Orlando. Detalhe, sem GPS e fizemos todos os passeios!!!!!
recordações muito bonitas desses momentos singulares de convivência,
das observações que as crianças faziam, das nossas conversas e das
conversas entre eles, das expectativas no momento de preparação das
viagens, dos relatos pós viagem, das diferenças entre o que foi mais
significativo para um e para outro e, principalmente, de estarmos
juntos. Até dos perrengues e frustrações sentimos saudades.
da Disney, foi tornando-se cada vez mais difícil juntar os cinco para
viajar pois a diferença de idade entre o Tiago e o Pedro é de 8 anos,
então, escolher um destino que agradasse a todos ou uma viagem que
pudesse ser encaixada na agenda de todos passou a ser um complicador. Aí, as viagens passaram a ser em trio ou quarteto, variando os componentes. Sempre achava estranho viajar sem um deles, mas eram situações concretas que surgiam. Mesmo assim, eu viajava um pouco triste e meio culpada por não estarmos todos juntos.
que senti pra valer quando o motivo para não viajar foi “nem pensar,
mãe” ou “o que tem para fazer lá ?” ou “eu não quero ir com vocês”. Então a
ficha caiu ! Meus filhos tinham crescido, tinham outros desejos e
interesses, portanto, viajar com pai e mãe já não tinha mais a mesma
graça. Viajar com amigos era um “barato” para o mesmo lugar, que, se
fosse com os pais, seria um “saco”. Também
chegou o tempo das viagens com a escola e das viagens para o sítio dos
amigos, sempre avaliadas por eles como muito boas, maravilhosas !
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| Imagem do site www.freepik.com |
“eu não queria voltar” só vieram a confirmar que viajar sem a tutela de
pai e mãe era uma experiência necessária, que trazia muitos
aprendizados importantes para ambos os lados, isto é, para pais e
filhos. Embora, no fundo, como mãe, eu sentisse algo estranho ao ouvir essas declarações, era a confirmação de que tinha sido uma vivência muito enriquecedora para eles e que estávamos diante de uma nova etapa para todos nós.
Nossa
última tentativa de reunir os 5 em uma viagem foi em 2003, quando
resolvemos viajar por 1 semana para um resort em Cabo de Santo
Agostinho. O pai e eu embarcamos convencidos de que estávamos abafando ao levá-los para essa viagem!!!!
das muitas atividades oferecidas pelo hotel, nós ainda alugamos um
carro para passear em Recife e Olinda, mas nada disso foi suficiente
para entusiasmá-los. Temos uma foto “emblemática” em que cada um dos
três está de óculos escuros dormindo em uma espreguiçadeira, embaixo de
um ombrelone, num maravilhoso dia de sol. Então, chegamos à conclusão que, sempre que pudéssemos, pagaríamos para eles viajarem da forma que quisessem. De lá pra cá, muitas viagens foram feitas por nós e por cada um deles.
Em algumas datas importantes, perguntados sobre o que gostariam de ganhar de presente, a resposta foi “viagem”.
Os
filhos já não são mais crianças e sim “adultos trabalhadores” que
adoram um feriadão para uma ida a Friburgo para casa da vovó ou para
aproveitar uma promoção de viagem. As férias, sempre que possível, são
divididas em 2 períodos para fazerem 2 viagens longas. A Juliana e o Pedro, em momentos diferentes, pediram para se incluir em nossas viagens.
feliz ao lembrar dos momentos que vivemos juntos em viagens. Fico feliz
em ouvir as memórias que meus filhos têm das viagens que fizemos
juntos. Fico feliz de ver que plantamos sementes. Semente de viajar em
família, semente de convivência, e, também, a semente do desejo de
conhecer novas cidades, conhecer novos costumes, conhecer outras
histórias, conhecer patrimônios, conhecer outras produções culturais.
A intenção desse breve relato não é dizer que isso acontece com todas as famílias. Essa foi a transformação vivida pela nossa família. Assim foi a nossa história e sei que cada um tem a sua.
Antes
de terminar, gostaria de dizer que, ao longo dos anos, Perri e eu não deixamos de ter momentos só nossos e não abrimos mão de viajarmos
sozinhos. Deixamos, em alguns momentos, as crianças com os avós ou em
casa, com a supervisão deles, e partimos. Achava
muito legal viajar com os filhos, nunca considerei um bicho de 7
cabeças, mas também não achava que só podíamos viajar com eles.
“Um homem precisa viajar por sua conta, não por meio de histórias, livros e tevês. Precisa viajar, por si, com os olhos e pés, para entender o que é seu”.


















Resposta de 0
Lilian,
Que relato lindo!!
Espero ouvir do meu pequeno daqui uns anos, de que tudo valeu a pena, e que foram esses momentos em família que ficaram para sempre em nossa memória!!
Vou compartilhar lá no Viagens que Sonhamos!
Beijão,
Fran @ViagensqueSonhamos
Obrigada pelo carinho, Francine. Tenho certeza que ouvirá muitas coisas legais do Dodô pois ele é de uma outra geração e está tendo oportunidade de fazer viagens num outro contexto. beijos
Que relato maravilhoso, me identifiquei demais, acho que famílias felizes realizam viagens felizes e retornam mais unidas ainda, como acontece conosco. Também plantamos a semente das viagens em nosso filho e agora ele fará seu primeiro intercâmbio, na Itália, a partir de setembro/16 e iremos com ele, claro, pelo menos nos primeiros dias. Não vejo a hora!!!
Adorei o aquecedor com o tamanho de torradeira!!! Um beijo.
É muito bom ver nossos filhos valorizando viajar para conhecer uma outra cultura,querendo aprender outra lingua,morar em outro país. Nosso caçula morou em Toulouse e fomos visitá-lo e ele nos acompanhou por uns dias. Ele todo feliz em nos levar para conhecer cidades que tinha visitado anteriormente
Adorei o relato. Abraço.
obrigada, Poliana.
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Lilian, que post inspirador, lindo de mais!! Estou começando a jornada de viagens com as crianças e quero ser igual a vc quando crescer!!! Parabéns por nos inspirar!!
Obrigada, volte sempre. beijos
Que delícia de post! Queria até te dar um abraço.
Eu não tenho nada de mais rico na minha vida do que as lembranças, as histórias que tenho, as fotos que tirei… A gente pensa exatamente como o Perri. E minha filha aos 10 anos já deixei ir sozinha com a escola pro Canadá? Louca? Não, colhendo o que plantei. A sementinha tá germinando. Beijos.
Melissa Lima, já me senti abraçada, obrigada. Com certeza sua sementinha já está germinando. Bons momentos ! beijos
Ai Lilian, que post lindo… impossível não me identificar e imaginar que será assim aqui em casa, em poucos anos. Mas esse é o nosso papel, abrir as portas do mundo para nossos filhos e plantar as melhores sementes para que floresçam neles. Lindo relato!
Quwrida Claudia,com certeza as Passeadeiras serão viajantes a descobrir belezas por aí. Beijos e obrigada.
Quwrida Claudia,com certeza as Passeadeiras serão viajantes a descobrir belezas por aí. Beijos e obrigada.