Neste post, conto como organizamos nossa visita à capital da Sicília sem carro: onde nos hospedamos, como nos deslocamos e quais lugares conhecemos em Palermo por conta própria. Também compartilho nossas impressões sinceras sobre uma cidade que parece não querer agradar imediatamente, mas que não demorou para ocupar um lugar especial na nossa viagem de ônibus pela Sicília.
Você sabia que Palermo nem sempre foi a capital siciliana? Isso só aconteceu em 831 d.C. quando os árabes dominaram a ilha. Ao longo de sua história perdeu esse “posto” por duas vezes e só o retomou em 1947.
Palermo sem carro: qual a melhor época para visitar
Nós chegamos a Palermo em 22 de maio e o clima estava “perfeito”: dias de sol e temperatura agradável, o que confirma o que lemos em todas as pesquisas que fizemos. Ou seja, o período mais indicado é mesmo de maio a setembro.
Palermo sem carro: do aeroporto ao centro
É muito rico visitar uma cidade que carrega em suas ruas e construções a história de tantos povos: fenícios, gregos, romanos, árabes, franceses, espanhóis. Enfim, uma mistura étnica que, ao longo dos tempos, deixou marcas que continuam atraindo muitos viajantes. Nós estávamos super animados para conhecê-la.
Palermo foi a primeira cidade da Sicília que visitamos. Saímos de Florença e desembarcamos no aeroporto Falcone Borsellino (PMO), que fica 35km distante do centro. A boa notícia é que existe uma forma bem econômica de se deslocar: o ônibus da empresa Prestia e Comandé faz o trajeto aeroporto/centro.
Para localizar o "ponto de ônibus" é só sair do aeroporto, virar à direita e andar um pequeno trecho. Logo verá alguns ônibus e um quiosque onde são vendidos os tickets. Nós já tínhamos feito a compra pelo Booking.com, então foi só aguardar o horário. O bilhete é válido para qualquer horário no dia escolhido, portanto se o voo atrasar não precisa se preocupar.

Palermo sem carro: onde se hospedar
Como era uma viagem sem carro e tínhamos optado pelo ônibus, escolhemos ficar no Aragona 15 Suítes porque ele tinha uma boa localização, sendo possível ir a pé da rodoviária para a hospedagem e vice versa. Além disso, dava para circular pela cidade sem transporte.
O Aragona15 Suítes era um estúdio confortável e bem estruturado, com cozinha equipada e tudo necessário para preparar refeições leves. Quarto e banheiro de ótimo tamanho e uma saleta. Bem perto havia um supermercado Lidl além de muitos restaurantes e bares. A área é segura e tranquila, e o anfitrião mostrou-se uma pessoa extremamente simpática, atenciosa e solícita, oferecendo dicas e atendendo a todas as mensagens rapidamente, sempre com muita delicadeza. Essa foi a nossa experiência, mas cada um deve escolher a hospedagem segundo seus próprios critérios.
Para nós, a localização de uma hospedagem é um ponto crucial da viagem, podendo interferir de forma positiva ou negativa na experiência vivida em uma cidade. Como costumo fazer um mapa personalizado para cada cidade, eu marco o hotel nele para ver a sua localização exata em relação aos pontos turísticos, restaurantes, supermercados e lojas. Inclusive, consigo delinear o trajeto da estação de trem ou da rodoviária até o hotel e verificar se preciso de transporte ou se posso ir caminhando.

Analiso a segurança da região e também a proximidade dos pontos turísticos, pois ficar muito longe poderá impactar o orçamento com gastos em transporte. Gosto de ler as avaliações de outros hóspedes porque, de modo geral, isso ajuda na decisão. Sempre faço as reservas por meio de plataformas confiáveis (booking.com, hoteis.com e airbnb.com), pois é mais seguro. O cancelamento gratuito é outro ponto importante que observo.
Quer saber como viajar de ônibus pela Sicília? Neste post eu conto em detalhes como foi nossa viagem sem carro pelo lado leste da belíssima ilha italiana.
Palermo sem carro: lugares para visitar
Caminhada sem rumo Um das coisas mais legais que sempre fazemos ao visitar uma cidade é caminhar sem roteiro. Assim, já começamos a apreciar muitas coisas, que nem sempre são chamadas de “turísticas”, tais como: praças, ruelas, arquitetura de prédios, lojinhas, mercearias etc… Dentro desse primeiro momento de ambientação, há também a parte prática: localizar supermercados, cafeterias, farmácia etc… Só depois nos dedicamos aos passeios turísticos propriamente ditos.

Os palazzos de Palermo também chamaram nossa atenção. E o que são os palazzos? São casarões que já foram residência de famílias nobres italianas. Andando pela cidade, é possível ver vários. Se você for curioso como nós e quiser saber um pouquinho sobre cada um, alguns têm uma placa com um pequeno resumo de suas histórias. Abaixo, o Palazzo Chiaramonte Steri, um exemplo da arquitetura gótica italiana, que foi residência da família Chiaramonte e hoje pertence à Universidade de Palermo.

Nessas andanças ficamos encantados com os ateliers, lojinhas descoladas e pequenos restaurantes charmosos com mesinhas nas calçadas. Outro aspecto interessante são as muitas ruas estreitas com prédios de 3 a 5 andares em tom amarelado, que possuem pequenas sacadas. De vez em quando, surge no meio das ruelas uma pequena praça como se fosse um refúgio.

A Catedral ou Duomo di Palermo, que se chama oficialmente Catedral da Virgem Maria da Assunção, é uma belíssima construção, especialmente na parte exterior. Apresenta uma mistura de estilos: normando, árabe e barroco, entre outros e, com certeza, sua história explica essa colcha de retalhos arquitetônica.
Na verdade, quem a admira não imagina que aquele é um espaço “sagrado” há mais de 1600 anos. Isso mesmo! Ali já haviam sido erguidos 2 templos cristãos e, em 831, durante o domínio muçulmano, foi transformada em mesquita. Em 1072, os normandos a devolveram ao culto cristão. O que vemos hoje começou a tomar forma em 1185, a pedido de um arcebispo, e em 1781 ganhou reformas, ampliações e ares neoclássicos a mando do rei Carlos III.
A Catedral de Palermo, a Catedral de Cefalu e a Catedral de Monreale fazem parte do circuito chamado “Palermo-Árabe Normando”, que em 2015 foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco.

Você sabia que pode conhecer a capital da Sicília fazendo um free tour?
A Capela Palatina, no Palácio dos Normandos, é sensacional e, embora eu deteste usar o termo imperdível, não encontro outro para falar dela. Os mosaicos que revestem tetos e paredes, o teto da nave principal esculpido em madeira e o trabalho primoroso de vários painéis precisam ser apreciados com calma como se estivéssemos degustando uma obra de arte. Ali não se veem visitantes fazendo poses, e sim tentando captar com suas “lentes” a beleza de cada traço. Ela é reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Se você curte a liberdade de desbravar a Europa sem depender de aluguel de carros, não deixe de conferir também as dicas de como viajar de trem e ônibus por Portugal e Espanha. Vem comigo!
Mercado Ballaró é um “mercado aberto” na verdade uma espécie de feira com muitas barracas que vendem de tudo: frutas, legumes, carnes, temperos, comidas típicas, refeições, roupas e quinquilharias. Considerado o mais antigo mercado de Palermo, é daquelas atrações que muitos turistas adoram conhecer. Achei interessante conhecer pelo seu valor cultural, mas no dia que visitei não tive uma boa impressão, talvez tenha sido pelo horário que passei por lá.
Quattro Canti, localizado no centro histórico de Palermo, é o nome dado ao cruzamento de duas importantes ruas. O encontro da Via Maqueda e do Corso Vittorio Emanuele, forma um ponto turístico pitoresco: uma espécie de quadrado tendo em cada canto/esquina um prédio. Todos eles num mesmo tom bege claro e possuem 3 andares. No térreo, cada prédio tem uma fonte representando uma das estações do ano. As fachadas são em formato curvo, com estátuas de reis e santos. Um lugar cheio de turistas e sempre bem movimentado.

Piazza Pretoria é uma majestosa praça num formato circular com a bela fonte Pretória, cercada por escadarias e esculturas. Por lá, artistas de rua se apresentam, tornando o entorno ainda mais animado.

Teatro Mássimo, a maior casa de ópera da Itália, é um imponente prédio em estilo neoclássico cercado por jardins muito bonitos e, na época que fomos como era primavera, as flores estavam dando show! Só pudemos apreciá-lo pelo lado de fora; pena que não dá nem para visitar o saguão sem pagar entrada e fazer a visita guiada.

O Palermo Marina Waterfront foi um dos lugares que mais adorei e que muito surpreendeu, pois não tinha ouvido ninguém falar dele. É muito legal para quem, como nós, adora caminhar à beira mar, apreciando a paisagem, os barquinhos e os veleiros. Ainda dá para escolher um dos restaurantes charmosos para jantar. Estivemos lá no final da tarde e à noite, quando pudemos assistir um lindo show de luzes nas fontes.

A Igreja de San Giovanni Degli Eremiti, do século XII, era a capela real nos primeiros anos do reino normando. Funcionou no passado como um mosteiro e foi construída sobre outras estruturas religiosas bem antigas. Apresenta cinco cúpulas vermelhas arredondadas como herança da influência islâmica. No seu interior, é possível observar vestígios de afrescos e um detalhe incrível: as pequenas janelas nos tetos em abóboda. A igreja conta com um jardim repleto de palmeiras, laranjeiras e plantas tropicais, além de um lindo claustro beneditino com colunas duplas. Faz parte do circuito de monumentos declarados Patrimônio Mundial da Unesco.

A Porta Nuova, construída para celebrar a vitória do imperador Carlos V sobre os turcos, é uma porta histórica monumental que exibe quatro enormes esculturas representando os mouros derrotados. É lindíssima! A rua mais antiga de Palermo, o Corso Vittorio Emanuele, liga essa porta à Porta Felice, no outro extremo e o passeio pela rua é também um ótimo programa.

A Piazza Bellini, uma praça ampla localizada em Kalsa, um bairro histórico, reúne duas igrejas que valem muito a visita: Igreja da Martorana e a de San Cataldo.
A poucos passos de San Cataldo, encontra-se a Igreja de Santa Maria dell’Ammiraglio, mais conhecida como Martorana. É uma das construções mais representativas da influência bizantina na arquitetura religiosa de Palermo. Ao longo dos séculos, o edifício passou por modificações que acrescentaram elementos barrocos à estrutura medieval. A fachada reúne características de diferentes épocas, enquanto a antiga torre sineira conserva elementos da arquitetura normanda. Quem vê por fora a Igreja da Martorana não imagina como ela é incrível por dentro! Destacam-se os mosaicos bizantinos do século XII misturados com mármores e afrescos. Não há quem não admire a representação do Cristo Pantocrator (Cristo Todo Poderoso) na cúpula. Atualmente, a igreja pertence à comunidade católica de rito greco-bizantino e também faz parte do conjunto de monumentos reconhecidos pela UNESCO.

A Igreja di San Cataldo, construída entre 1154 e 1160, durante o domínio normando na Sicília, é um dos exemplos da arquitetura árabe-normanda de Palermo. Apresenta três torres arredondadas e avermelhadas que podem ser vistas de longe. Ao entrar, parece que fizemos uma viagem no tempo! Pequena e com teto abobadado, é sempre descrita como um local de contrastes, visto que suas paredes são em pedra clara, sem adorno de imagens e seu belíssimo piso é todo em mosaicos com arabescos islâmicos em materiais vermelho, verde, branco e dourado. A fachada é sóbria, com arcos de influência islâmica. Uma curiosidade é que a cor vermelha das cúpulas não corresponde necessariamente à aparência original da igreja, pois foi introduzida durante uma restauração realizada no século XIX. Desde 2015, San Cataldo integra o conjunto de monumentos árabe-normandos reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial.

Via Ruggero VII e Via Maqueda são ruas que merecem um passeio para quem aprecia a beleza arquitetônica de prédios e gosta de conhecer um pouco do comércio da cidade, dos bares, restaurantes e lojas badaladas.
Como visitar as principais atrações de Palermo? Nós visitamos tudo caminhando pela cidade. No entanto, pegar o ônibus turístico pode ser uma boa alternativa para quem tem pouco tempo ou não tem disponibilidade para fazer os passeios a pé.
Não deixe de provar o maravilhoso cannoli recheado de pistache. É divino! Outra delícia típica da Sicília é o arancini.

Vale a pena visitar Palermo? Nós adoramos passar 4 dias na capital da Sicília e aproveitamos para fazer 2 passeios bate e volta: Cefalu e Monreale. Em breve, teremos posts aqui.


